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28/06/2013

Resultado de audiência em Foz integrará relatório da Comissão Nacional da Verdade

A audiência pública da Comissão Estadual da Verdade do Paraná (CEV) ouviu nove ex-presos políticos, em Foz do Iguaçu. O jornalista Aluízio Palmar disse que a audiência “trouxe à luz um passado cruel que pouca gente conhecia”. Ele foi um dos organizadores da sessão na Câmara de Foz do Iguaçu, iniciada quinta-feira (27/06) e encerrada na manhã desta sexta-feira (28).

Os depoimentos e discussões integrarão o relatório a ser encaminhado à Comissão Nacional da Verdade para que os casos sejam apurados e anexados ao documento final que será entregue à Presidência da República.

A CEV/PR foi criada pelo governador Beto Richa no ano passado, em conjunto com outros órgãos estaduais e federais, para aprofundar as investigações sobre as violações de direitos humanos na região Oeste do Paraná, durante o período do regime militar.

A comissão ouviu os depoimentos dos ex-presos políticos Aluízio Palmar, Adão Luiz Almeida, Ana Beatriz Fortes, Rodolfo Mongelos Leguizamon, Lilian Ruggia, Luiz Alberto Fávero, Isabel Fávero, Gilberto Giovannetti e Jair Kischeke. “Foram relatos contundentes, com momentos de emoção, sobre como foram feitas as torturas e quem foram os torturadores”, disse o presidente da CEV/PR e professor da UFPR, Pedro Bodê.

Convocados para depor, Otávio Rainolfo da Silva, ex-soldado do Exército Brasileiro, e Mario Espedito Ostrovski, ex-tenente do Batalhão de Fronteira de Foz do Iguaçu não compareceram. Rainolfo é acusado de dirigir o veículo que conduziu as vítimas do massacre do Parque Nacional do Iguaçu, mais conhecido como Massacre de Medianeira. Ostroviski é apontado como torturador de Isabel e Luiz André Fávero, Aluízio Palmar e Ana Beatriz Fortes.

Na Estrada do Colono, em 1974, foram assassinados seis militantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Esse e outros fatos ocorridos na região fizeram parte da Operação Condor, acordo internacional para reprimir pessoas contrárias à ditadura na Argentina, Paraguai, Uruguai, Brasil e Chile, além da população indígena e os trabalhadores rurais na região.

ORGANIZAÇÃO - A audiência pública de Foz também foi organizada pelo Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz do Iguaçu (CDHMP), do Fórum Paranaense de Resgate da Verdade, Memória e Justiça e do Fórum de Direitos Humanos e Memória Popular, em parceria e apoio da Comissão Nacional da Verdade, Secretaria de Direitos Humanos, Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Paraná.
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